Todos Nós Deveríamos Saber Quem Foi Emilie Flöge

Ela veio antes da Coco Chanel, mas poucos conhecem o trabalho desta estilista austríaca. Saiba aqui como seu papel foi determinante para a história da moda.

Emilie Flöge

Trabalha-se muito no mundo da moda. Por onde a gente olha, tem notícias acontecendo a todo momento: um designer de roupas que passa a fazer sapatos, o discurso de uma celebridade que cutucou as feridas da indústria, um desfile que ilumina os nossos pensamentos… No entanto, mesmo estando no meio do furacão, tem pautas que nos deixam perplexos e fazem a gente se perguntar: “Como eu não sabia disso até agora?”

+ LEIA MAIS | Coco Antes de Chanel – Conheça a História da Fundadora da Chanel

Este é o caso de Emilie Flöge. Em meio à nossa ronda diária de notícias, redescobrimos o trabalho desta couturier que, por não ter passado a maior parte da sua carreira em Paris, acabou sendo esquecida dos livros de história da moda. Pelo fato da cidade-luz ter sido extremamente importante para definir os rumos tomados pela moda ocidental, é comum que estilistas fora do eixo Paris-Milão-Londres-Nova York não ganhem tanto destaque. Some isso ao machismo — que insiste em atribuir a “grandes homens” as maiores descobertas do mundo — e entende-se a maneira como Flöge foi apagada.

Emilie Flöge

Por isso, vamos tentar fazer pelo menos um pouco de justiça à sua contribuição por aqui. Para começo de conversa, lojas icônicas como ColetteCorso Como e Dover Street Market possivelmente não existiriam se não fosse pela “flagship” que a designer armou com suas duas irmãs. Em 1904, na agitadíssima rua Mariahilfer de Viena, na Áustria, a Schwestern Flöge recebia a sua clientela em um espaço incrível, 100% decorado com as obras de arte mais inovadoras da época e desenhado pelo mesmo profissional responsável pelo ateliê de pintura de Gustav Klimt: Josef Hoffmann.

+ LEIA MAIS | O Closet Perfeito, Segundo Coco Chanel

O genial simbolista austríaco, por sua vez, viveu um relacionamento totalmente fora das normas do período com a designer. Para eles, o casamento não era uma obrigação — tanto que Flöge nunca pisou num altar — e filhos também estavam fora da lista de desejos do casal. No lugar disso, eles priorizaram a arte de maneira mútua. Não à toa, a estilista ganhou um retrato só seu além de sua aparição histórica num dos quadros mais valiosos e conhecidos do mundo: “O Beijo”, que virou até capa da ELLE Brasil em dezembro 2017 . Lázaro Ramos faz as vezes de Klimt e Taís Araújo se torna Flöge em seus braços.

The Kiss by Gustav Klimt

The Kiss by Gustav Klimt

As roupas da couturier seguiam a escola do francês Paul Poiret: ignoravam a obrigatoriedade dos vestidos com corselet e se abriam a possibilidades mais leves como os caftãs estampados — sua marca registrada. As versões feitas por ela, inclusive, emprestavam a estética da Art Nouveau e de bordados tradicionais húngaros em suas padronagens. Eram roupas leves, que representavam a virada do século: momento de deixar certas tradições para trás e viver a possibilidade do novo.

Emilie Flöge

Não à toa, as mulheres amavam criações de Flöge — até as norte-americanas, do outro lado do oceano, se esforçavam para angariar alguma de suas peças de alta-costura. Para satisfazer essa demanda — além de criativa incansável — ela precisou se fazer businesswoman. Seu ateliê empregava nada menos do que 80 funcionárias e, para selecionar os melhores tecidos e aviamentos do mercado, viagens a Paris e Londres (pelo menos duas vezes por ano) eram necessárias. Foi aí que notáveis como Christian Dior e Coco Chanel a conheceram.

+ LEIA MAIS | O Glamour dos Antigos Atelieres de Moda Parisienses do Início do Século XX

Em 1938, infelizmente, acontece a invasão nazista na Áustria e — assim como vários empreendedores — ela teve que fechar as suas portas. Boa parte de sua clientela era composta por mulheres judias que foram deportadas ou acabaram nos tenebrosos campos de concentração. É um fim triste para a carreira de uma mulher extraordinária que por 30 anos foi a cabeça e as mãos de um projeto brilhante. O mínimo que devemos é reconhecer o seu espaço na história. Viva Flöge!


Beijos. Até a próxima.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s